domingo, 18 de maio de 2008

COMO É QUE ERA AQUELA HISTÓRIA DE QUEM É QUE GANHA COM O PRÉMIO LITERÁRIO?

Por Madalena Silva

Estive a ver os comentários no post da Andreia "Nova novela: as comadres histéricas" e estive quase para acrescentar mais um. Depois pensei melhor e decidi deixar antes aqui uma ideia à reflexão geral:

Já a alguém ocorreu pensar em quem é que está, mais uma vez, a lucrar com esta novela à volta da Feira do Livro?

Pois é, temos de dar a mão à palmatória. O Paes do Amaral não é só um tipo rico, é também um tipo esperto.

A Feira do livro é organizada por uma associação com autonomia jurídica. Essa organização é contestada por outra associação com autonomia jurídica. A Câmara Municipal de LIsboa tem um papel claro e definido e, do meu ponto de vista e a fazer fé no seu comunicado à Lusa, até agora tem tentado desbloquear a situação dentro do quadro que lhe compete.

Mas é o Grupo Leya que tem estado a ter, nestas duas últimas semanas, mais publicidade do que teve em todo o tempo da sua curta mas conturbada existência.

Podem crer que quando foi criado, e apesar de muito se ter dito à volta do seu surgimento, passou despercebido a muito boa gente. Gente que não está no meio, o cidadão comum e anónimo que quer lá saber quem compra ou vende editoras.
Contudo, esse cidadão anónimo vai à Feira do Livro todos os anos, leva os miúdos, passa lá uma tarde, ou mais, compra um livro da Anita para a catraia, Uma Aventura para o miúdo, recolhe um autógrafo do tipo que escreveu o Equador, e folheia e mexe em centenas de livros que não pode comprar mas que fica a saber que existem.

E agora, de repente, estão a dizer que se calhar não vai haver Feira? É pá!!! Que é lá isso? Quem são os gajos que estão a acabar com a sua festa? Grupo Leya? Quem é esse grupo? O que faz? Ah, tem editoras? O quê, a D. Quixote? E a Caminho também? Do Paes do Amaral? Mas esse não é o da TVI? Pensava que o tipo só fazia novelas e Bigg Brothers. Ah, afinal também está nisto dos livros. E quer o quê? Stands mais modernos? Boa, boa. Porque não? É pá não deixam o homem montar o stand como ele quer. Mas afinal estamos em Democracia ou não?... Já viste, pá? Nem deixam o Grupo Leya ir à Feira do Livro. Cambada!...

E quanto custa esta publicidade? Zero, népia, nada de coisa nenhuma! A comunicação social oferece-lha de bandeja. A CML subscreve e a APEL e a UEP fazem o papel da grande agência criativa a quem nem o trabalho de imaginar como dar visibilidade ao cliente está a ser pago.

A isto é que se chama visão empresarial. Pode não ter nada a ver com livros mas tem tudo a ver com negócio. É por isso que o homem está rico e vai continuar a comprar editoras! Tomem nota do que eu disse.

2 comentários:

Drekas disse...

Ora aí está!

Esquema antigo, mas que sempre ou quase sempre resulta.

A burrice e a ingenuidade dão muito lucro.

Rui Z disse...

Bem visto. Toda a publicidade pode ter seu reverso. Mas se o objectivo é a "visibilidade da marca" (uso terminologia à qual a gerência é alheia) então a vitória é certa.