terça-feira, 25 de novembro de 2008

Rogério de Moura

por Sofia Madalena

Este é o orbituário de Rogério de Moura, publicado hoje em meia página do Público. Não me parece que seja por isso que é importante...


Ontem, na editora onde estou a estagiar, alguém descobriu com tristeza que este editor tinha morrido e eu nem sabia muito bem quem ele era. Quer dizer: sabia que estava à frente da Livros Horizonte desde sempre mas pouco mais. O interessante no meio disto tudo é estar em contacto com pessoas que o conheciam e perceber que ele era "um dos últimos editores humanos deste país", a pessoa preocupada com os amigos (ainda que fossem editores de outras casas), com os colegas, com o mundo em que tocava.


Editou muitos livros (coisa que, como aprendemos, qualquer um pode fazer, mas os livros dele eram um risco - coisa que permite uma sobrevivência difícil mas uma satisfação plena) mas, acima de tudo, tocou muita gente (aquilo que poucos vão conseguir). Digo isto porque já percebi que há por aí gente que se vende por muito pouco, muito pouco mesmo.


Gosto de pensar que o Rogério de Moura não era assim. E digo-o porque muitos mo disseram, e eu acredito. Porque como vivi pouco resta-me ouvir o que outros viveram. E não, não sou ingénua, apenas acho que é razoável. Sempre achei que o editor estava evolto numa aura especial, de respeito e honestidade, e espero conhecer muitos mais assim.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Encerramento da Byblos

Por Carlos Pinheiro

Um ano depois de ter sido inaugurada com toda a pompa e circunstância, eis que a Byblos fecha portas. É estranho que uma livraria como estas (a maior do país quer em dimensão ocupada quer em número de livros disponíveis, bem como a mais sofisticada em termos tecnológicos), anunciada como um projecto que tinha consistência, fortes possibilidades de expansão (com a abertura prevista de mais lojas por todo o país), e que vinha revolucionar o panorama editorial (basta lembrar a promessa da disponibilização ao público dos fundos de catálogos de todas as editoras nacionais), pudesse ter este fim e de um modo tão abrupto. Quando vi a notícia pela primeira vez na televisão, fiquei estupefacto. Não queria acreditar. Contudo, é mesmo verdade. Perante isto, comecei de imediato a reflectir sobre alguns aspectos que poderiam estar relacionados com a queda deste gigante:

1.º Porque é que a livraria só encerrou agora? Ao que parece, há já alguns meses (quase desde o início) que o negócio não estava a correr bem. Por outro lado, fechar portas em pleno mês de Novembro (a poucas semanas do Natal), também não me pareceu a estratégia mais adequada. É bom não esquecer que os últimos dois meses do ano são a época de vacas gordas para as editoras, que conseguem obter lucros semelhantes àqueles que fazem ao longo de todo o resto do ano. Ou será que já nem o menino Jesus poderia fazer um milagre e salvar a livraria da falência?

2.º Quais as razões para este encerramento precoce? Será que tem alguma coisa a ver com a crise que todos nós sentimos nas carteiras? Será que as pessoas estão a comprar menos livros? Será da concorrência de outras grandes livrarias? Será da localização? O que acham?

Neste sentido, fiz uma pequena esquisa por alguns blogues especializados e encontrei três artigos muito interessantes nos quais os respectivos autores discutem as razões que segundo eles conduziram a esta situação. Aconselho vivamente a sua leitura (Eduardo Pitta, Jaime Bulhosa e Carla Maia de Almeida).

Deixo-vos com a seguinte reflexão em forma de pergunta - «Byblos: sonho ou ilusão?»

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

CONSIDERAÇÕES À VOLTA DE UM SUCESSO DE VENDAS

Por Madalena Silva


Gosto de visitar um blog chamado 7 Leitores. É um blog colectivo e frequentemente fornece pistas de leitura ou de reflexão interessantes.
Um dia destes, descobri lá um post do Albano Estrela intitulado Das boas e das más razões do sucesso de um livro e dei comigo a pensar que aquele artigo poderia perfeitamente ser o resumo de uma das nossas aulas de mestrado, ou um contributo para o nosso manual, ou um tema a reflectir e a debater no nosso blog. Aconselho-vos vivamente a leitura. Não é que traga grandes novidades mas, até por isso mesmo, é muito interessante descobrir que há mais gente a pensar o mesmo que nós.

Saramago e Meirelles

Por Dinis Lapa

Vejam este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY
(Bonito!)

Queria também mostrar a minha surpresa insurpreendida ao ver que a associação dos cegos "estado-unidense" posicionou-se contra o filme por este dar a ideia que se as pessoas se tornarem cegas transformar-se-ão em pessoas más, vis e mesquinhas. Pura ignorância e estupidez. O realizador, politicamente correcto, disse que eles apenas estavam equivocados. A obra é, sucintamente, sobre a natureza humana em situações de desespero.

A NOSSA OPINIÃO CONTA?

Por Madalena Silva


A propósito da Feira de Frankfurt, lembrei-me da nossa Feira do Livro e de um estudo de opinião que vi há dias no site da APEL e que achei interessante.
Recomendo-vos a leitura. Dá sempre jeito saber o que pensam as pessoas relativamente às coisas sobre as quais nós próprios dissemos o que nos pareceu que devia ser dito.
Embora não tenha participado no estudo, devo dizer que concordo em absoluto com a opinião da maioria sobre os WC.
E fiquei um bocadinho ansiosa com o resultado obtido pelo Espaço Leya - será que para o ano voltamos a ter a mesma "cowboyada" para ver em que modelo se monta a Feira?
Espero bem que não.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O MISTERIOSO CASO DOS FUTUROS BEST-SELLERS DESAPARECIDOS

Por Madalena S.

Não resisti! O que querem? Eu sou assim, malina!
Andava por aqui nas minhas pesquisas, a ver as notícias do dia, e o que descubro eu no Sol, com largo desenvolvimento e abundância de pormenores no 24 horas?
Que o nosso aclamado autor de best-sellers, Miguel Sousa Tavares, teve um assalto na casa de Lisboa e "abifaram-lhe" o pc, carregadinho de informação e de literatura em velocidade de cruzeiro, na senda de mais dois tops dos tops, um a meio e mais um quinto de outro.
Cópias de segurança, "viste-las"!
Deixaram-lhe tudo, menos a literatura.
O caso merece reflexão profunda. Quem foi? Há várias possibilidades. A saber:
1- Um ou vários leitores, organizados em quadrilha, com o intuito de impedir a publicação de mais livros deste autor;
2 - O editor que achou que estava a ser enganado e não havia mais livro nenhum; (neste caso admite-se que o material venha a aparecer abandonado algures entre Vila Nova de Milfontes e a Zambujeira do Mar);
3 - O José Rodrigues dos Santos, para se inspirar;
4 - O Rui Zink, porque sim;
5 - Eu, que estou numa fase da vida em que qualquer coisa serve para me distrair da crise mundial;
6 - O Mané Coxo, o Licas Batuque e o J.C. Red Eye, que precisavam de alimentar o vício, conheciam os arredores, perceberam que a casa estava às moscas, viram a forma de lá entrar e gamaram a única coisa que conseguiriam vender rapidamente para garantir o financiamento da dose diária.
Eu estou mais inclinada para a última opção. Acho-a mais plausível.
- Então e os documentos do homem? - perguntam vocês.
- Ora essa! Então e o homem vai de fim-de-semana para o Porto e deixa os documentos em casa?!? - respondo eu.
- Esqueceu-se?... - questionam vocês.
- Hum... aqui há gato!... - insinuo eu, sinuosa e maledicente.
Muito bem, aqui vos deixo este primeiro capítulo desta magnifica aventura e desafio-vos a darem-lhe continuação.
Quem lhe pega?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

É ISSO AÍ, SEU MURILO!!

Por Madalena S.


Tinha eu acabado de deixar um comentário no post anterior, confessando a minha lamentável ignorância relativamente ao feliz contemplado com o Prémio Leya, quando, em pesquisa aplicada na blogosfera tentando descobrir coisas sobre o dito, me deparo com um post no Bibliotecário de Babel, admitindo exactamente a mesma brancura de dados.
Fiquei logo mais contente. Afinal o defeito não é meu.
Mas o melhor do post são os comentários. Um deles fornece, finalmente, informação sobre o Murilo - jornalista, faz documentários para a TV, na Amazónia, e estreou-se assim na escrita - toma lá 100 mil euros.
Lembram-se quando discutimos sobre quem é que iria ganhar com a atribuição deste prémio? Agora já temos a certeza: Seu Murilo recebe em numerário mas a Leya recebe em espécie já que só com o facto de o prémio ir para o Brasil, numa altura em que os ânimos luso-brasileiros estão quase em vias de facto por causa do acordo, vai chegar pela certa uma época de controvérsia que vai colocar de novo o nome do grupo nas 1ªs páginas.
Digo eu, sei lá!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Prémios Prémios Prémios e Muito Amor Pelos Felinos

por: João Silveira


PRÉMIO LEYA: e o vencedor é: Murilo António de Carvalho com O Rastro do Jaguar.
MAN BOOKER PRIZE 2008: and the winner is: Aravind Adiga, com The White Tiger.

domingo, 12 de outubro de 2008

Por Andreia Azevedo

Buenas Pessoal!
Aqui fica a minha sugestão (embora um pouco atrasada) do nova imagem do blogue. Quem tiver algo a dizer, que diga agora ou se cale para sempre. :p

Aproveito ainda para deixar a minha primeira sugestão de reflexão, neste 3º semestre de Mestrado:

Até que ponto poderemos ressalvar o estilo de um autor?

Almedina comprou Actual Editora

Por Carlos Pinheiro

A Almedina - uma das principais editoras portuguesas na área do Direito e proprietária de várias livrarias, uma delas de grande dimensão, no Atrium Saldanha, em Lisboa - comprou a Actual Editora, especializada em Economia e Gestão. Segundo o presidente do Grupo Almedina, Carlos Pinto, o objectivo passou por alargar o catálogo de livros técnicos e profissionais publicados, alargando-o às áreas económicas. O Grupo Almedina inclui ainda as Edições 70, chancela preponderante no domínio das Ciências Sociais e Humanas, como a História, a Sociologia e a Linguística.

Planeta volta para Portugal

Por Carlos Pinheiro

A Planeta, uma das maiores editoras espanholas, europeias e mundiais (a sétima, ainda antes de ter adquirido o grupo editorial francês Editis), com uma enorme presença em todos os países sul-americanos e crescente projecção no Brasil, vai voltar para Portugal, agora com a sua própria marca, começando a publicar muito provavelmente no início de 2009. Recorde-se que a editora fundada em 1949 em Barcelona, comprou uma das principais editoras portuguesas, a D. Quixote, a Nelson de Matos, em 1999, acabando por a vender ao grupo Leya em final de 2007, depois de ela própria, Planeta, ter tentado comprar (ou pelo menos estudado essa possibilidade) outras editoras, designadamente a Verbo, a Gradiva e a Terramar, sendo o seu objectivo conseguir 20% do mercado - objectivo falhado, no final das contas.

Santillana entra na ficção

Por Carlos Pinheiro

A Santillana, um gigante editorial de língua espanhola, pertencente ao grupo Prisa, vai lançar-se também na edição de livros não-escolares em Portugal. A editora, com forte implantação no mercado da América Latina, já edita livros escolares no nosso país com a chancela Santillana Constância. Agora, decidiu apostar num segmento de mercado muito disputado onde os maiores grupos concorrenciais são os da Leya, da Bertelsmann e da Porto Editora.

Novo site sobre Literatura portuguesa

Por Carlos Pinheiro

Acaba de surgir um novo espaço na Internet dedicado à Literatura e à Língua Portuguesas: http://www.pnetliteratura.pt/. Nele surgem críticas de poesia, romance e tradução (por Jorge Reis-Sá, Pedro Teixeira Neves e Maria do Carmo Figueira, respectivamente), bem como textos inéditos de Almeida Faria e Gonçalo M. Tavares. A coordenação é de Luís Carmelo, que também assina crónicas.

Novo site da APEL

Por Carlos Pinheiro

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) colocou no ar um novo site: http://www.apel.pt/. Além da informação sobre a Associação e os associados, o site possui um centro de documentação (com estudos e estatísticas, bem como material sobre direitos de autor ou apoios e incentivos à edição), um catálogo bibliográfico e uma página de notícias.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

...E O NOBEL VAI PARA... LE CLÉZIO!

Por Madalena S.


Jean Marie Gustave Le Clézio é o novo Nobel da Literatura.
O último francês a receber este prémio tinha sido Claude Simon, em 1985, e antes disso, em 1964, Jean Paul Sartre recusou o prémio!
Claro que houve mais, entre eles Mauriac, André Guide ou Roger Martin du Gard, apenas a título de exemplo.
E, curiosamente, o primeiro nobel, em 1901, também foi para um francês - Sully Prudhomme.
Coloco à consideração: quem conhece a obra de Le Clézio? Quem já leu?
Eu confesso que apenas conheço o nome mas nunca me cruzei com a sua escrita.
Este é talvez o grande efeito imediato do Nobel da Literatura - às vezes os premiados são autores de quem a maioria das pessoas nunca ouviu falar e, por via do prémio, passam a constar na galeria dos nomes a ter na estante lá de casa, por um lado, e a ler qualquer coisa, por outro. Já não é mau.
Para não falar dos próprios para quem, ao que parece, é de facto bastante bom.
É claro que há muitos que, se eram desconhecidos antes do prémio, continuam a ser desconhecidos depois do prémio - quem passou a conhecer e a ser leitor assíduo do Vidiadhar Surajprasad Naipaul, de Trinidad e Tobago, que foi galardoado pela Academia Sueca em 2001, ponha o dedo no ar!
E que dizer do Bjornestjerne Martinus Bjornson que foi o premiado de 1903 e que há-de ser certamente muito famoso na sua Noruega natal por cujo hino é inclusivamente responsável, ao que parece, mas que há-de estar por aí nos fundos das bibliotecas a ganhar pó?
Bom, quero eu dizer com isto o seguinte: o nobel da literatura, e se calhar de outras disciplinas, equivale aos 15 minutos de fama a que todos aspiramos e apenas alguns alcançam?
Está aberto mais um debate.
Sobre Le Clézio e o nobel podem ler-se mais coisas também no Blogtailors.

O CADERNO DE SARAMAGO

Por Madalena Silva


Para quem gosta de Saramago, há um novo sítio para o ler regularmente aqui na net: O caderno de Saramago, em http://caderno.josesaramago.org/, um blog sui generis já que o escritor se limita a criar os conteúdos cabendo a manutenção do blog a Pilar, Sérgio e Javier, tal como o próprio nos diz no breve editorial, ou apresentação, ou lá o que é o pequeno texto à margem.
Os comentários também estão fechados pelo que apenas temos a possibilidade de ler, não interagindo de modo nenhum com o escritor.
Mas ainda assim, não deixa de ser um prazer dispor de um novo texto do Saramago quase diariamente.
Aconselho vivamente a leitura do 1º texto, no dia 17 de Setembro que, como o próprio explica na nota introdutória, é uma espécie de carta de amor a Lisboa.
Quando o li, pensei de imediato n' O ano da morte de Ricardo Reis, em minha opinião o mais belo romance do nosso nobel.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

MORRA O PINTO, MORRA! PIM!

Por Madalena S.


Hoje, 7 de Outubro, da.puta.madre teceu um comentário ao post do Carlos Pinheiro sobre Paulo Teixeira Pinto, em 1 de Agosto.
Já leram? Não? Leiam. E depois expliquem-me.
Caro, ou cara, da.puta.madre: não consegui perceber tão grande zanga com o PTP.
Mas isso não invalida que também eu não goste do homem. Que, verdade se diga, não gosto.
Agora, será que é porque ele não é poeta? Ou, pelo contrário, porque ele é um poeta de truz?
Não acreditam?!
Atentem na notícia saída no Público em 18 de Janeiro passado: o homem entrou no bcp em 1995, foi promovido a presidente em 2005 e foi despedido dois anos depois, em 2007, o que lhe deu direito a uma indemnização de 10 milhões de euros e mais uma pensão anual vitalícia de 500 mil euros. Não sou eu que digo, é o Público que é um jornal sério.
Eu posso perfeitamente falar mal porque parte destas verbas sai dos juros que o bcp me come por me ter emprestado o "guito" para eu comprar a minha casa. Ou seja, também ajudo a sustentar o poeta!
Mas temos de ser sinceros - o que nos faz falar mal não é um bocadinho de inveja?
Convenhamos que um tipo que ao fim de 12 anos num banco consegue "negociar" a sua saída com estas condições, das quatro, cinco: ou é um ás do pedal, ou é um ás do pedal que ainda por cima conhece bem as bicicletas ilegais dos outros ases do pedal!
Portanto, poeta não será. Ciclista é de certeza. E editor? É? Ou não é? Comprou a Guimarães. Fui à net mas a página está em construção.
Procurei pela Atica. Não encontrei nada. O que é mau sinal porque significa que, mesmo que a informação lá esteja, está tão mal arrumada que é como se não estivesse.
De modo que decidi colocar à consideração geral, deixando um pequeno inquérito:
Avalie cada questão de 1 a 5, sendo que 1 é "não"; 2 é "nem não, nem sim, antes pelo contrário"; 3 é "que é que temos a ver com isso?"; 4 é "pois, 'tá bem, na volta cá te espero" e 5 é "caguei!"

1 - Paulo Teixeira Pinto é um poeta
2 - Paulo Teixeira Pinto não é poeta, mas faz poesia
3 - Paulo Teixeira Pinto é um tipo rico, não é poeta, nem faz poesia, mas é editor
4 - Paulo Teixeira Pinto não é editor
5 - Paulo Teixeira Pinto venceu o Tour de France mais vezes que o Lance Armstrong
6 - Paulo Teixeira Pinto pedala enquanto faz poesia e edita a biografia não autorizada do Joaquim Agostinho
7 - Paulo Teixeira Pinto é um Dantas, pim pam pum
8 - Morra o Pinto, Morra! Pim

Está aberto o debate.
Fico à espera dos comentários para criarmos aqui um Fórum de discussão em torno do PTP.

domingo, 5 de outubro de 2008

DINIS MACHADO, in memoriam.

Por Madalena Silva

Há algum tempo que estamos parados. As férias e o início dos estágios para muitos, e do trabalho e preparação de projectos para outros, fizeram com que o nosso blogue se acomodasse algures no sossego da rede em silêncio e quase sem se dar por ele.
Por outro lado, julgo que o facto da "criadora" do aspecto e da organização do blogue ter sido a Andreia, terá inibido os restantes no que respeita a actualizações diferentes do que sejam as simples mensagens e comentários.
Ora, como sabem, eu sou pouco inibida e se, até agora, a Andreia não lhe mexeu é porque certamente não pode e, como tal, alguém tem de se chegar à frente. O blogue é colectivo se bem estão lembrados.
E porquê hoje? - Perguntam vocês.
Por várias razões. - Respondo eu. A saber:
1 - Porque até hoje também não tinha tido tempo.
2 - Porque hoje é dia de comemorar a República e como já não há republicanos genuínos, daqueles que andaram aos tiros na rua (ao que parece o último conhecido finou-se no ano passado), alguém tem de assinalar as efemérides.
3 - Porque estou um bocado azul com este roubo descarado que constitui a coincidência de um feriado num domingo! Devia haver uma lei a proibir estas coisas.
4 - Porque (e esta é de facto a mais importante e a que deve verdadeiramente contar) não se pode ter um blogue sobre edição e não prestar tributo a Dinis Machado, falecido ontem aos 78 anos.
Transcrevo aqui a nota biográfica constante da badana da minha edição de O que diz Molero, publicada em Fevereiro de 1987 pelo Circulo de Leitores, com licença editorial por cortesia da Livraria Bertrand:
"Dinis Ramos Machado nasceu a 21 de Março de 1930, em Lisboa. Viveu no Bairro Alto até aos trinta e três anos. Foi jornalista desportivo no Record, no Norte Desportivo, no Diário Ilustrado e no Diário de Lisboa. Organizou no princípio dos anos sessenta, os primeiros ciclos de cinema da Casa da Imprensa e fez crítica de cinema na revista Filme onde "escrevi as minhas grandes primeiras asneiras verdadeiramente convencidas".
Praticou de tudo um pouco, do poema à entrevista, espalhado ao desbarato. Escreveu três livros policiais em 1967 (Mão Direita do Diabo, Requiem para D. Quixote e Mulher e Arma com Guitarra Espanhola) com o pseudónimo de Dennis McShade na colecção Rififi, que dirigia na altura. Publicou dez anos depois O que diz Molero, que teve treze edições, com cerca de cem mil exemplares vendidos. O livro foi traduzido em espanhol, búlgaro, romeno e alemão. Fez também adaptações e outros trabalhos para televisão. Publicou em 1984 o texto Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabirel Garcia Márquez, ilustrado por Fátima Vaz."
A actualização desta nota biográfica pode ser feita a partir de algumas notícias saídas entre ontem e hoje nos periódicos nacionais:
Correio da Manhã
Lusa
TSF online
RTP
DN
PÚBLICO
RR

Deixo ainda o link para a entrevista publicada no P2 do Público, no dia em que fez 77 anos e cuja leitura recomendo vivamente.
A concluir, direi que independentemente de todos os textos que escreveu e publicou, e que merecem ser lidos, O que diz Molero é igualmente leitura obrigatória e devia constar dos manuais escolares. (Não sei se consta, mas a fazer fé nos decisores da educação neste país, tenho sérias dúvidas. Alguém me diga se estou enganada que eu farei aqui publicamente a minha contrição.)
Por isso, como TPC para todos os meus colegas: ler, ou reler, O que diz Molero.
E um obrigado ao Dinis Machado, por ter escrito este e outros.



sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sites novos

Por Carlos Pinheiro

Para quem gosta de ler Fernando Pessoa e José Saramago, aqui ficam dois novos endereços que vos podem agradar. A propósito do primeiro, a Casa Fernando Pessoa acaba de renovar o seu site oficial (e bem, já não era sem tempo), dando uma lufada de ar fresco para a instituição cultural liderada por Inês Pedrosa. O design do novo endereço electrónico (http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/) é da responsabilidade do famoso ilustrador Henrique Cayatte. Nele, podem encontrar informação sobre a programação cultural, elementos biográficos sobre o poeta, um arquivo de poesia, uma biblioteca e algumas hiperligações úteis. Quanto ao segundo, trata-se do blogue oficial da Fundação José Saramago (http://fundjosesaramago.blogspot.com/), com notícias e outros conteúdos referentes ao escritor e à sua obra, e que confere a possibilidade aos cibernautas de trocarem impressões entre si e de deixarem comentários sobre os textos saramaguianos que mais os marcaram.

Novo curso sobre edição

Por Carlos Pinheiro

Para quem gosta mesmo de edição, há mais uma opção na área da formação superior. A Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa acaba de lançar para o ano lectivo 2008/2009 um novo curso sobre edição intitulado Pós-Graduação em Edição: Livros e Novos Suportes Digitais. Apesar de não conferir o grau de mestre, e após uma análise do plano de estudos do novo curso, creio que este até terá (teoricamente) algumas vantagens em relação ao "nosso":

1) Há uma cadeira semestral exclusivamente dedicada à revisão e preparação de um livro desde o original manuscrito até à cópia final para a impressão;

2) Há um conjunto de três cadeiras que se articulam umas com as outras de uma forma muito bem pensada: Marketing do Livro, Gestão Editorial e Estratégia Editorial. No fundo, passámos o ano inteiro a queixarmo-nos desta lacuna, não foi?

3) Há uma cadeira semestral exclusivamente dedicada à paginação, sendo a principal ferramenta electrónica de apoio o InDesign e já não o velhinho QuarkXPress, que tantas dores de cabeça nos causou, se bem se recordam.

Bem, não quero que fiquem tristes a pensar que, no fim de contas, escolheram mal o curso. Se não tivesse sido assim, não nos teríamos conhecido... E depois, se se sentirem insatisfeitos com a formação que receberam na Nova, podem sempre repetir a dose e fazer o novo curso da Católica. Também é só um ano e nem tem estágio nem projecto final...

Novamente o "Kindle"

Por Carlos Pinheiro

Pois é, esta nova tecnologia parece mesmo que veio para ficar e revolucionar o nosso modo tradicional de ler. A revista "Actual" de 26 de Julho de 2008 (suplemento do Expresso) contém um pequeno artigo sobre as qualidades e as potencialidades deste nova ferramenta electrónica auxiliar da leitura, onde também se diz, como seria de esperar, que o e-reader não irá destronar totalmente o livro em papel, apenas será um complemento desse objecto que há séculos domina na nossa cultura.

Entrevista a Paulo Teixeira Pinto

Por Carlos Pinheiro

Não há dúvida, Paulo Teixeira Pinto é um dos homens do momento. A edição do mês de Julho da revista Os Meus Livros traz uma entrevista interessante sobre o actual dono da Ática e da Guimarães Editores. Destacam-se alguns pormenores curiosos sobre a sua vida e sobre o modo como entrou no mundo da edição. Por outro lado, a sua aposta na qualidade dos livros que publica é indiscutível. Segundo uma outra fonte que não vou citar por não me recordar ao certo, PTP comprou os direitos de exploração da livraria da Biblioteca Nacional de Portugal durante dois anos e prepara-se para abrir nos próximos meses uma outra no Centro Cultural de Belém, esta última especializada em livros de arte de grande qualidade. Que mais fará este homem?

sábado, 26 de julho de 2008

E VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA!!

Por Madalena Silva

"Os líderes da comunidade aprovaram também a declaração "A Língua Portuguesa: Um Património Comum, Um Futuro Global", realçando a importância da concertação, a nível da CPLP, na prossecução de políticas linguísticas que projectem e afirmem a Língua Portuguesa internacionalmente e sejam adequadas à situação de cada Estado-membro."
in, Público, 25/07/2008
Esta novidade constitui um parágrafo de uma notícia saída no Público.
E deixou-me a pensar. (Será que é isso que eles pretendiam?)
Então fui à procura de mais novidades e encontrei as "propostas" do Engº para o tempo da presidência portuguesa da CPLP.
E fiquei muito mais descansada. Eles têm tudo pensado. Os anglo-saxónicos que se acautelem. E os chineses que se "achandrem"! Podem ser não sei quantos milhões ou biliões ou lá o quê, mas não nos vão fazer engolir os ditongos e as vogais abertas, nem empurrados com pauzinhos!
A proposta que eu mais gostei foi a da criação de uma rede de escolas em todos os países. Sobretudo se os manuais de língua portuguesa contiverem os magníficos textos que continham há uns tempos sobre o "Big Brother". Não sei se se mantêm. Posso estar a ser mázinha! Digo eu, sei lá! Prontos!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

FLIP


Só para vos meter um bocadinho de inveja - aproveitando as mensagens que a Walmira tem mandado - e para vos desejar umas boas férias a todos.

Filipa Magalhães

sexta-feira, 27 de junho de 2008

LIVROS A 20 CÊNTIMOS ?!!?

Por Madalena Silva

Pois é!
Quem o diz? O Blogtailors e o Diário Digital. Quem o faz? Ao que parece a Biblioteca Municipal da Azambuja. Para libertar espaço e renovar o catálogo.
Mesmo com o gasóleo ao preço proibitivo do caviar e das trufas brancas do Piemonte - que no Outono passado atingiram os 7 mil euros o kilo - se calhar compensa dar uma passeata até à Azambuja.
É nos dias 27 e 28 de Junho.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

WE ARE THE CHAMPIONS!! (of the World)

Por Madalena Silva


Eu não podia deixar passar! Está-me na massa do sangue como se costuma dizer.
Ao João tenho de agradecer a extraordinária ideia de reabilitar o nosso Demis! Viva o Demis e quem o apoiar.
Mas não ficava bem com a minha consciência ultrapositiva (não esquecer a minha máxima de vida que é: De véspera, quem tem de se ralar é o peru!) se vos deixasse partir para férias com uma cantiga de adeus.
Por isso, aqui deixo aquela que considero que melhor nos retrata no final deste primeiro ano de Mestrado.
E que, simultaneamente, é uma prenda do coração para o nosso Nuno!
(Desculpem-me a preferência mas o Nuno é meu colega de grupo de trabalho e diz que é de direita. Para uma mulher de esquerda assumida como eu - esquerda mesmo esquerda, não é esquerda ao centro e meio campo a rematar para a baliza!! - um colega de grupo de direita é um desafio. No final do mestrado espero ter conseguido que o Nuno assine o Avante! que, para todos os efeitos, é uma publicação periódica.)

Portanto, vejam, oiçam, embebam-se do espírito da coisa! We are the champions!


E fica a minha proposta: o nosso mestrado só acaba para o ano. Este blogue é para continuar. Eu vou continuar a deixar cá coisas. Desafio-vos a todos a fazer o mesmo.

Será o nosso Ponto de Encontro das férias.

Um grande abraço para todos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Gudbai mai lâve, gudbai!

Por: João Santos

(ler com a música ligada - clicai, por favor)



Pois é, o blog vai de férias.
Ficam as recordações, os posts gigantescos, os erros ortográficos, a sintaxe ignorada, as discussões nos comentários, o layout formatado da blogspot (em tons de azul), ficam as pérolas de sabedoria, os textos não uniformizados, fica a frase do Mallarmé que nem sequer é verdade (é mentira, é verdade), fica o arquivo a lembrar-nos que em 2007 existiram 17 entradas de texto, fica o meu nome ali em cima (à direita, em itálico) a garantir-me direitos autorais inalienáveis, fica o sorriso parvo por causa da palavra inalienável que, inicialmente, escrevi deste modo

ANALIENÁVEL

levando-me a ponderar a hipótese de um possível deslize freudiano, enfim, fica o Demis Roussos (porque todas as desculpas são boas para ouvi-lo).


Meus caros, voltaremos algures em Setembro.
Até lá, despedimo-nos com amizade


os Mestrandos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Trova do Vento que Passa - Poema de Manuel Alegre

Por Andreia Azevedo





Uma homenagem, embora já atrasada, ao 10 de Junho.
Aqui fica uma lembrança, uma mensagem e uma música que aprecio bastante.

domingo, 8 de junho de 2008

Por Andreia Azevedo

Um livro com um prefácio do autor é mau?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mestre Goga

Cito David Rodrigues:

"Mestre Goga, um dos expoentes cimeiros da poesia Haiku no Brasil, faleceu há dias com 97 anos. Este poeta deu uma incansável e inestimável contribuição para a divulgação do Haiku em português. Deixo aqui a minha simples homenagem:

Tinha-me esquecido
que deste caqui só fica
a lembrança. "

O editor não se pode esquecer dos autores de Literatura que não vende, dos marginais.

ÀS QUARTAS, COM O PÚBLICO

Por Madalena Silva

Um clássico é sempre um clássico! E o herói Blueberry é definitivamente um clássico da BD.
Saiu hoje o primeiro da colecção, com o Público, numa edição da ASA. É um conjunto de 18 livros de uma BD realista franco-belga - uma grande escola - cuja criação remonta aos anos sessenta e que conta as aventuras de um soldado americano que na maioria das vezes puxava mais para os índios. Como eu sempre gostei de quem é do contra, sou fã. Custam 5,90€ o que para álbuns de BD até é um bom preço.
E já agora, gostava de saber a opinião dos meus jovens e ilustres colegas: ainda se aprecia este tipo de BD, com estes heróis de cowboiada fora do contexto em que foram criados, na geração de sessenta que fez o Maio de 68 e o Flower Power e o Make Peace not War, e Vilar de Mouros (o verdadeiro, o primeiro, o que não tinha casas de banho descartáveis porque nem havia ASAE)?
Digam lá se as Edições ASA e o Público apostaram no cavalo certo quando escolheram este clássico para reeditar.
(As edições antigas eram da Dargaud e julgo que mais recentemente a Méribérica terá editado também alguma coisa mas não tomem isto como garantido porque não investiguei a fundo.)
Por Andreia Azevedo

Um sugestão sobre a definição de mundo editorial, tendo por base uma célebre frase de Da Vinci (1):"A arte nunca acaba, apenas é abandonada".




(1) Na Rua da Escola Politécnica (Museu da Ciência) a exposição - Leonardo da Vinci - o Génio - Aqui

terça-feira, 3 de junho de 2008

Literatura e Humor

Por Carlos Pinheiro

Em tempo de crise, nada melhor do que aproveitar os bons momentos da vida para descontrair e rir um pouco. Inserida numa série de iniciativas levadas a cabo pela Bertrand do Chiado com vista à promoção da leitura, eis a conferência intitulada "O Humor na Literatura" que contará com a presença de Ricardo Araújo Pereira, Rui Zink e Paulo Nogueira (qualquer deles dispensa apresentações). Vai ser certamente uma oportunidade para soltar umas boas gargalhadas e descobrir novos motivos para se ler os livros com mais alegria e mais prazer. Dia 5 de Junho (5.ª feira) às 18h30m na Bertrand do Chiado.

domingo, 1 de junho de 2008

Encadernação de Livros

Por Andreia Azevedo

Tendências a mudar?

Por Andreia Azevedo

Nova Iniciativa Leya...

Hoje - no canal 1 - Simone de Oliveira declamou teatralmente um poema de Álvaro de Campos.
No final da declamação apareceu o emblema da Leya em alto-relevo, bem como a indicação de que a ideia foi concebida pela Inês Pedrosa.
Engraçado, uma das primeiras coisas que aprendemos no início do Mestrado foi o facto do editor quase não aparecer, certo?
Partindo dessa ideia e após ter visto a reportagem sobre a expansão das "marcas brancas" (RTP), ocorre-me neste momento o seguinte...
Não será a "velha máxima" da constante exibição, um modelo que começa a entrar em declínio?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

CONTOS DO VODKA LARANJA - II

Por Madalena Silva


Depois de um longo dia de trabalho, a mulher senta-se à mesa, com ar extenuado, e o marido tentando ser amável pega na concha para servir a sopa e pergunta-lhe:
- Sirvo-te?
E ela responde, distraída:
- Às vezes...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O QUE MUDOU EM 10 ANOS

Por Madalena Silva

Nem de propósito! Estava eu a ruminar sobre o meu capítulo dedicado às novas tendências editoriais e ao facto de ainda não estar satisfeita com o resultado quando, em navegação de lazer nas ondas da net, dou de caras com um post no LERBLOG que se intitula DEZ ANOS DEPOIS.
Uma leitura rápida, uma clicadela no link recomendado, e descubro um texto delicioso cuja leitura recomendo vivamente aos que estão interessados em reflectir sobre o que mudou no mundo dos livros nos últimos dez anos.
O texto é de Robert McCrum que foi editor literário do The Observer durante mais de 10 anos, tendo deixado o cargo este mês.
E só para vos dar um cheirinho, ele dá o tiro de partida dizendo-nos que, quando começou, em 1996, aquele mundo seria facilmente reconhecível por nomes como George Orwell, Cyril Connoly, Anthony Burgess ou Clive James. Era um mundo de tinta e papel, de cigarros, de café e bebidas fortes.
Depois estrutura o resto do texto em 10 capítulos pequenos, 10 short chapters, ao longo dos quais nos vai dando as suas impressões sobre Zadie Smith, Amazon, JK Rowling, The Corrections, Festivals, Prizes, Ian Mcewan, Blogs vs Reviewing, Eats,Shoots and Leaves e The Kindle.
É uma pena ser feio plagiar.
Dava um capítulo sobre novas tendências editoriais perfeito!


Copyright,Copyleft and The Creative Anti Commons

Por Andreia Azevedo

Copyright, Copyleft and The Creative Anti Commons - Berlim 2006

Trata-se de um texto que aborda novas perspectivas perante a temática do Direito Autoral, para além de ser um percurso interessante pela História e pelas mudanças de mentalidades.
Citei-o no meu trabalho, mas penso que será muito mais útil para quem está a trabalhar o "Papel do Autor". (Dinis e Ana Faria, creio!)
No final da página encontra-se o link que remete para a tradução portuguesa.

terça-feira, 27 de maio de 2008

"Publicar o que dá, para poder publicar o que não dá."

Manuel Alberto Valente, à conversa com Carlos Vaz Marques, no "Pessoal e Transmissível" da TSF, para ouvir aqui.

Ana Valentim

Rescaldo do 1º dia de Feira do Livro

Por Andreia Azevedo

Depois de tanta lavagem de roupa suja e da chamada publicidade gratuita que aqui se tem referido, ou até mesmo nas aulas, lá me decidi a ir à Feira do Livro no Sábado. Cheguei lá por volta das 17H00. Pouca gente mas muitos comes e bebes.
Comecei a vistoria à Feira pelos alfarrabistas e fui subindo, enquanto a minha mãe me repetia constantemente: - "Haja olhos para isto tudo!"
Chego finalmente à tão badalada secção LEYA. O meu coração palpitava de tamanha ânsia. Confesso que estava à espera de uma apoteose, mas como diz o ditado popular: “foi um balde de água fria”.
Tanto conflito criaram no puro intuito de chamar a atenção e de se promoverem, e no preciso momento em que as atenções se viram para eles, apresentam aquilo?
Os pavilhões quase todos por montar, caixotes nas escadas, os empregados descoordenados e a atrapalharem-se uns aos outros, mas o mais engraçado eram os Staff, a típica imitação do porteiro de discoteca, com a diferença que na feira do livro fui barrada:
“- Ai desculpe, mas não pode entrar porque ainda estamos a montar, mas se vir algum livro que lhe agrade, não se vá embora sem ele.” – Está frase é a chave de tudo!
É isto o ser diferente e são estes os senhores avançados que apontam o dedo aos outros, chamando-os de tradicionais e antiquados editores?
Desculpem, mas dá-me vontade de rir! Promoção de quê? De incompetência?
É a isto que se chama astúcia? Se fossem realmente espertos depois de montar o circo em busca de atenção, apresentavam tudo organizado e ganhavam ainda mais pontos. Fizeram-no?
Lá está, há uma grande diferença entre saber e o parecer que se sabe!


Pontos a favor (porque também sei admitir as coisas):

- Os livros estão dispostos em prateleiras - facilmente saltam à vista - ao contrário da maioria das barraquinhas onde temos que andar a esmiuçar. Se bem que eu gosto de procurar as coisas, logo não me importo;

- O mini parquinho infantil que eles criaram.


Sinceramente não me chateia horrores perceber que as coisas não são terminadas a tempo, chateia-me a prepotência das pessoas em acharem-se melhores do que os outros, quando ainda fazem pior.
Como dizia o Sr. Isaías Teixeira no encontro dos Livros em Desassossego: “Deixem-nos trabalhar e mostrar o que queremos fazer”.
Se nós deixarmos de fazer deles vítimas, eles mostram. E mostram o que se viu!


Uma chamada de atenção:

Quem é que está a trabalhar sobre o marketing?

Ora aqui ficam duas promoções que achei um “mimo”:

- “Leve 3 livros e oferecemos o mais barato”.
- “Na compra de um livro, leva um pacote de pipocas”.

...

ISABEL DA NÓBREGA

Por Madalena Silva
No último JL, saiu uma entrevista belíssima com Isabel da Nóbrega cuja leitura recomendo vivamente.
Deixo aqui um apontamento de que gostei particularmente: "Gosto muito de estar cá. Se pudesse, não morria. Um dia, disse à minha filha que me pusessem na campa: Aqui jaz, indignada, Isabel da Nóbrega".
Subscrevo inteiramente.
Deixo ainda para reflexão e possível tema a discutir entre nós, o excerto de uma das suas respostas sobre o que hoje se edita:
"(...)Quando agora entro numa livraria e olho à esquerda e à direita e só vejo aqueles livros que estão a sair, com aqueles títulos e capas, a que dantes chamávamos livros de gare, que se vendiam nas estações, pergunto-me o que estão a fazer os editores, o que trazem aos novos para comprarem e darem aos amigos? Porque há uma responsabilidade no que se edita. E a verdade é que os grandes escritores actuais talvez sejam menos conhecidos do que uns tantos que escrevem ligeirinho, ligeirinho. Ficamos entre o futebol e esses livros. Não percebo para onde vão."
Nem eu.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Os direitos dos leitores

Caríssimos,

Andamos a falar de Edição como se se editasse em nome de algo maior que o homem, uma deusa literária qualquer, mas esquecemo-nos que no fundo editaremos em nome dos leitores, e os leitores têm direitos.

Daniel Pennac, em "Como um Romance", da Asa, enumera 10 direitos principais:

1- O direito de não ler.
2- O direito de saltar páginas.
3- O direito de não acabar um livro.
4- O direito de reler.
5- O direito de ler não importa o quê.
6- O direito de amar os "heróis" dos Romances.
7- O direito de ler não importa onde.
8- O direito de saltar de livro em livro
9- O direito de ler em voz alta
10- O direito de não falar do que se leu

Dinis

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Leya do Fivro

Por: João Santos

Segundo o PÚBLICO, a Leya terá 15 barraquinhas no topo superior direito da Feira do Livro de Lisboa, todas à sua imagem e semelhança. Depois de tanta discussão admito que estou à espera de tapetes vermelhos, bungee jumping com os escritores, tendas de strip literário (em vez de notas, oferecemos sonetos e novelas às meninas), fogo de artíficio e até, quem sabe, uma benção do amigo Berardo.
Se só tiver bons livros com 20% de desconto também é simpático.


Lembro-me da Madalena comparar (e bem) o espírito da Feira com o do Avante!.
Madalena, em tudo estes dois acontecimentos se aproximam. Toda esta história em torno da Feira me lembra o choque que alguns avantistas - mais avessos aos perigos da globalização - tiveram ao encontrar, em pleno chão da Quinta da Atalaia, uma barraquinha da Pizza Hut e outra, mesmo ao lado, da KFC. Foi uma histeria de fotos e comentários e ameaças com copos de imperial (de plástico).
No dia seguinte, já havia fila para se lá pestiscar qualquer coisa.
Confesso que, entre tanta luta, o que mais me preocupa é ver se as barraquinhas não XPTO se organizaram como deve ser; caso contrário (e assim como aconteceu no Avante!), de tão distraídas com guerras e ultrajes, acabarão como as associações e casas de petisco tradicionais que se esqueceram de ter comida suficiente para toda a gente.

Abre amanhã.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

JOÃO AGUIAR SEGUE MANUEL ALBERTO VALENTE

Por Madalena Silva

Conforme se pode ler no Público e no LERBLOG, João Aguiar sai da ASA, no grupo LeYa, para seguir com Manuel Alberto Valente para a Porto Editora. E porquê? Porque escritor e editor são amigos há muitos anos e João Aguiar acha natural preservar esse relacionamento.
Está visto que o mundo editorial assenta mesmo sobre as boas relações que se constroem ao longo de vidas inteiras, como tanto se tem falado nas nossas aulas.
Por isso é que nos custa muito engolir esta história dos grandes grupos e do negócio e do lucro e do marketing puro.
Quando a edição for feita por uma empresa com um conselho de administração constituído por homens de fato e gravata, vítimas de jetlag constante, e que ninguém encontra a tomar um cafezinho na Mexicana ou a ler os jornais no Jardim da Parada (à memória do Torcato Sepúlveda) com quem é que os autores vão estabelecer relações, cumplicidades e amizades de muitos anos?

Museu Itinerante de Jogos Tradicionais Portugueses

Por Andreia Azevedo

Aqui fica uma chamada de atenção sobre o que se anda a fazer no ISCTE - nomeadamente - na Pós-Graduação em Património e Projectos Culturais.

CONTOS DO VODKA LARANJA - I

Por Madalena Silva

A mulher arranjou-se toda muito bem e, quando o marido chegou a casa, disse-lhe:
- Desculpa lá, mas hoje tens de me levar a sair, a um sítio muito caro!
Então, ele pegou nela e levou-a a uma bomba de gasolina!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Bookcrossing

Por Andreia Azevedo

Em bem tinha falado em livros rebeldes!
Ontem estive na Faculdade de Letras e conheci a nova iniciativa da Biblioteca: o bookcrossing.
Segundo o que me foi dito, o objectivo é deixar livros em espaços públicos para que possam ser encontrados por outras pessoas.
Os livros são identificados e registados num site e o mesmo serve para que cada pessoa que encontre um livro, dê notícias dele.
É um sistema que procura claramente a maior divulgação do livro, contudo, não acredito que os livros sejam sempre encontrados. Na melhor das hipóteses, talvez saibamos notícias anos depois.
Confesso que para mim é pouco difícil desprender-me dos meus livros. Gosto de emprestá-los, mas quero sempre saber onde estão. Não sei se o meu egoísmo me deixa aderir a este tipo de iniciativa.
Quanto ao prejudicar ou não - os autores e os editores - inicialmente pensei que prejudicaria, mas se pensarmos que a moda pega, vai ser necessário comprar cada vez mais livros para libertar para um maior nr. de pessoas.
Pode ser, por que não?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

HABEMUS ACORDO!!

Por Madalena Silva

Para quem achava que os políticos não servem para coisa nenhuma, eis aqui a prova da sua valia: segundo o Público, as criaturas estiveram a trabalhar até às dez e meia da noite para garantir que temos Feira e que os senhores da APEL e os senhores da UEP não se estripavam nos meandros desta contenda.
Resta saber se a Feira do Livro vai ser relegada para o pino do Verão, quando o povo deixa a cidade para ir a banhos!
Às tantas...

Há capas... e capas!

Por Madalena Silva

Não resisto a plagiar um post de hoje no Blogtailors:

Tão simples...
De acordo com o comentário do Fernando Mateus, é de um tal Chip Kidd, pelos vistos uma super estrela.

domingo, 18 de maio de 2008

COMO É QUE ERA AQUELA HISTÓRIA DE QUEM É QUE GANHA COM O PRÉMIO LITERÁRIO?

Por Madalena Silva

Estive a ver os comentários no post da Andreia "Nova novela: as comadres histéricas" e estive quase para acrescentar mais um. Depois pensei melhor e decidi deixar antes aqui uma ideia à reflexão geral:

Já a alguém ocorreu pensar em quem é que está, mais uma vez, a lucrar com esta novela à volta da Feira do Livro?

Pois é, temos de dar a mão à palmatória. O Paes do Amaral não é só um tipo rico, é também um tipo esperto.

A Feira do livro é organizada por uma associação com autonomia jurídica. Essa organização é contestada por outra associação com autonomia jurídica. A Câmara Municipal de LIsboa tem um papel claro e definido e, do meu ponto de vista e a fazer fé no seu comunicado à Lusa, até agora tem tentado desbloquear a situação dentro do quadro que lhe compete.

Mas é o Grupo Leya que tem estado a ter, nestas duas últimas semanas, mais publicidade do que teve em todo o tempo da sua curta mas conturbada existência.

Podem crer que quando foi criado, e apesar de muito se ter dito à volta do seu surgimento, passou despercebido a muito boa gente. Gente que não está no meio, o cidadão comum e anónimo que quer lá saber quem compra ou vende editoras.
Contudo, esse cidadão anónimo vai à Feira do Livro todos os anos, leva os miúdos, passa lá uma tarde, ou mais, compra um livro da Anita para a catraia, Uma Aventura para o miúdo, recolhe um autógrafo do tipo que escreveu o Equador, e folheia e mexe em centenas de livros que não pode comprar mas que fica a saber que existem.

E agora, de repente, estão a dizer que se calhar não vai haver Feira? É pá!!! Que é lá isso? Quem são os gajos que estão a acabar com a sua festa? Grupo Leya? Quem é esse grupo? O que faz? Ah, tem editoras? O quê, a D. Quixote? E a Caminho também? Do Paes do Amaral? Mas esse não é o da TVI? Pensava que o tipo só fazia novelas e Bigg Brothers. Ah, afinal também está nisto dos livros. E quer o quê? Stands mais modernos? Boa, boa. Porque não? É pá não deixam o homem montar o stand como ele quer. Mas afinal estamos em Democracia ou não?... Já viste, pá? Nem deixam o Grupo Leya ir à Feira do Livro. Cambada!...

E quanto custa esta publicidade? Zero, népia, nada de coisa nenhuma! A comunicação social oferece-lha de bandeja. A CML subscreve e a APEL e a UEP fazem o papel da grande agência criativa a quem nem o trabalho de imaginar como dar visibilidade ao cliente está a ser pago.

A isto é que se chama visão empresarial. Pode não ter nada a ver com livros mas tem tudo a ver com negócio. É por isso que o homem está rico e vai continuar a comprar editoras! Tomem nota do que eu disse.

sábado, 17 de maio de 2008

Os livros ousados e os livros tímidos...

Por Andreia Azevedo

Livros Rebeldes:

São livros que imprevisivelmente aparecem e desaparecem de feira em feira, lutando por mostrar que eles merecem muito mais do que um lugar na estante.
Os incompreendidos que amam incondicionalmente sem nunca se prenderem a ninguém...


Livros Tímidos:

Ali ficam... estáticos, empalidecidos em estantes empoeiradas, esperando sufocantemente que alguém, algures, se lembre deles e lhes atribua o valor que a sociedade há muito se esqueceu...



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Por Andreia Azevedo

Acordo Ortográfico aprovado no Parlamento!
Mais informações aqui

Nova Novela: As comadres histéricas!

Por Andreia Azevedo

Ora vamos lá resumir a nova novela mexicana que estreou para os lados do Parque Eduardo VII:



As comadres histéricas:



O grupo Leya decide que não vai à Feira do Livro. Depois já vai, mas com pavilhões próprios e autorizados pela Câmara de Lisboa.
Depois já não vai porque a APEL não autoriza que se utilizem pavilhões diferentes.
Segue-se um comunicado por parte da APEL cujo destinatário é a Câmara de Lisboa. No respectivo comunicado a APEL explica o porquê da recusa dos pavilhões.
Entretanto a Gradiva e as Publicações Europa América desvinculam-se do UEP, alegando não concordar com o comportamento do Grupo Leya.
Fala-se em seguida em suspender a Feira do Livro, mas a APEL apela à CML para que não o faça, visto ser um acontecimento cultural de cunho muito importante.

(continua...)


Não percam o próximo episódio, neste blogue, sempre perto de si!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma iniciativa humanista ou um estratégia de marketing?

Por Andreia Azevedo

A propósito dos post´s anteriores:

Colegas, nem só de desgraças vive o mundo. Felizmente!
Enquanto uns querem colocar a sua marca no mundo estampada em notas de 500 euros, (quantas mais melhor) outros há que se libertam de um ego limitado, para dar ao mundo o valor mais precioso que existe (pelo menos para mim): sabedoria. E isso não se compra, conquista-se!
Sim, eu ainda sou uma idealista, ainda tenho "o sangue da juventude a ferver-me nas veias" (frase da Madalena, creio!). Não acredito que seja o tempo que apaga os ideais, mas sim as opções que vamos fazendo perante as adversidades que vão surgindo.
Há que vencer!
Mas deixemo-nos de filosofias...

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Este post serve para fazer referência a um projecto que considero muito interessante, mas que ainda coloco alguns pontos de interrogação...
Saiu a quando do Dia Mundial do Livro uma edição exclusiva Fnac/Teorema, de seu nome: O Prazer da Leitura.
Trata-se de uma série de contos de vários autores, entre os quais o nosso professor, Rui Zink.
É dada na capa a indicação dos editores: Teorema e Fnac (no caso da fnac, acrescenta-se ainda a referência aos 10 anos).
Na contracapa, os leitores são informados que o custo total do livro reverte a favor da AMI (4 euros é o custo).
Muito bem! A partida parece-me uma iniciativa de cunho bastante humanista e de louvar. Mas, tenho uma pergunta que gostaria de dirigir em especial ao professor.
Falamos diversas vezes nos prémios enquanto estratégia de marketing, onde o vencedor é quem atribui o prémio.
Neste caso, posso pensar esta edição como um modo de propaganda?
Confesso que as aulas de teoria e de técnicas contribuiram para um aumento da desconfiança...
Se bem que, propaganda ou não, eu fui para casa duplamente satisfeita. Ajudei ( mas a quem?) e ainda me ri bastante com certos contos!

É caso para dizer: por vezes, a verdade tem muitas faces.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Grupo Leya apoia Casa Fernando Pessoa

Por Carlos Pinheiro

Ainda no rescaldo da mais recente e gigantesca alteração do mercado editorial português (a compra da Explorer Investments e das suas editoras agregadas pelo Grupo Leya), eis mais uma "jogada de mestre" deste último. De facto, o Grupo Leya tornou-se mecenas oficial da Casa Fernando Pessoa, equipamento pertencente à pela Câmara Municipal de Lisboa (a qual não está nas melhores condições financeiras, como é publicamente conhecido), comprometendo-se a apoiar várias das actividades programadas para aquele espaço cultural. A Casa Fernando Pessoa, por seu turno, ficou encarregue de ceder sempre que seja necessário as suas instalações para a realização de eventos afectos ao grupo (ex.: lançamento de livros, debates, etc.). Em declarações ao jornal "Público", Inês Pedrosa, actual directora da CFP explicou que a iniciativa de pedir apoio à Leya foi sua, procurando dessa forma fazer frente à falta de meios financeiros que a instituição que dirige sente há já bastante tempo.

E VÃO QUANTAS?

Por Madalena Silva

Na sequência das novidades que a Ana Valentim nos deu na aula de ontem, sobre a última aquisição do Grupo Leya, fui à procura de notícias e opiniões e encontrei matéria fresca no Público de hoje e no LERBLOG.
E a propósito de algumas coisas que abordámos também na aula de ontem, entre marketing e senso comum, não resisto a transcrever aqui o comentário que o jornalista Luis Graça deixou no post do editorial de Francisco José Viegas sobre esta matéria.
Leiam e opinem.
"Sempre fui considerado ingénuo e idealista pelas outras pessoas. Nos últimos tempos, começaram a chamar-me pessimista. O que mudou? O mundo.
Já nem é preciso muito tempo para perceber que a concentração tem imensos perigos.
Basta atentar nos exemplos de outras áreas. Falo de uma onde estou mergulhado (num pântano, de cabeça de fora e braços no ar): o jornalismo.
A concentração não trouxe nada de bom: menos oportunidades de trabalho, trabalho precário, auto-censura a crescer, diminuição do espaço disponível para a escrita, ditadura do grafismo sobre a palavra, da urgência da hora do fecho sobre a notícia, etc.
Há dez anos escrevi sobre isto numa comunicação num congresso de jornalismo, realizado na Culturgest. Confirmaram-se as minhas previsões e o horizonte é ainda mais sombrio do que aquele que eu previra.
Quanto à concentração no mundo dos livros, a questão é muito simples: os detentores do poder financeiro percebem de livros? Amam os livros? Estão na edição para defender os livros? Sabem como conciliar os negócios com a edição?
Parece consensual que todos respondem: "Editamos para ganhar dinheiro".
Passou de moda a teoria de que se tinha de editar algum "produto" decididamente mau (mas com "mercado") para se poder editar também obras com poucos leitores, mas com valia cultural.
Reparem: se um autor consagrado se incompatibilizar com uma editora do grupo Leya é possível que edite numa outra do mesmo grupo? Isto é apenas um exemplo.
Não é o tempo da concentração editorial que permite uma autêntica "tubaranização" dos espaços disponíveis para os livros? Como é possível que montras inteiras sejam preenchidas na sua totalidade (ou quase) por um único livro? Isto é profundamente anti-democrático. Pode ser perfeitamente legal, mas é perfeitamente anti-democrático.
E as montras não são assim construídas por uma questão de bom senso. Ou por se achar que o autor é desconhecido e merece uma oportunidade. Não, as montras são assim construídas por uma questão de negócio. As montras são"compradas".
Tem alguma lógica pensar que o leitor precisa de ver 50 livros iguais numa montra para se interessar por ele?
Ao esgotar o espaço da montra, remete-se para um limbo do impossível a divulgação de outros autores.
Outra mania dos tempos da concentração é a de alterar a disposição dos livros. Cada vez mais, volta e meia está tudo mudado. Com que vantagens? Se o leitor que está habituado a ir à procura de um livro em determinado sector não conseguir encontrá-lo, o que se gera?No meu caso, frustração. Não é por andar a fazer "decoração de interiores" que se melhora a oferta dentro de uma loja.
Podem mudar à vontade a disposição dos livros. O facto é que isso apenas me afasta das livrarias. Até porque é nestes casos que geralmente se emprega uma força de trabalho que não distingue uma Margarida Rebelo Pinto de um Tolstoi, que pensa que Mário de Carvalho é brasileiro e Patrícia Melo portuguesa. Que pergunta se "Em busca do tempo perdido" é banda desenhada.
Os tempos da concentração também permitem que haja autênticas "limpezas" dos empregados mais antigos das livrarias (a par de alguns jovens altamente qualificados e raros), sendo substituídos por outros que passam a andar vestidinhos todos de igual, fardados e mentalizados para ir até ao computador encontrar a resposta a qualquer pergunta do cliente.
Há cerca de um mês pretendi esclarecer qual o horário da apresentação de um livro de Carla Maia de Almeida na "Byblos", perante a disparidade do horário que ela me fornecera e do que vinha dado à estampa no anúncio da Byblos que saiu no PÚBLICO.
Telefonando para o 12118, não consegui o número de telefone da Byblos. Não só não o consegui, como a pessoa que me atendeu desconhecia por completo a existência da livraria. Apetece dizer, como no anúncio da Renault: "Grandes para quê?".
Até agora, o que a concentração editorial anuncia é isto: negócios. Em que há livros no meio por mero acaso.
Não posso bater palmas e ficar à espera que me atirem um peixe, apesar de toda a simpatia que tenho pelas focas.
Quando um responsável por um grande grupo confunde uma citação de Camões com Eça de Queiroz, que posso esperar de relevante no que toca de apoio à Literatura?
Não pelo lapso, mas pelo sintoma."

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Livro = Mercadoria Espiritual - Artur Anselmo

Por Andreia Azevedo

"(...) ao livro o que lhe pertence: o seu valor material, a sua condição de ropica pnefma (1), isto é, de mercadoria espiritual, que não deixa de ser mercadoria pelo facto de ser espiritual. Só que esta última característica, dando ao livro o sopro da razão animada, reclama também para a mercadoria do espaço mais lato e mais aberto, onde perpassa a variedade do estilo do livro, pela procura insistente de novos temas, novas soluções, novos arranjos, novos motivos de atracção do leitor potencial.
O livro voga, assim, na onda transitória da moda, como quem se dá bem com o seu tempo, mas não deixa de continuar a desafiar os séculos dos séculos, o que explica a poderosa "novidade" dos livros antigos (...)"

Anselmo, Artur; História da Edição em Portugal - Vol. I - capítulo 1 - Pág. 8; Lello e Irmão Editores; 1991.

(1) Título de uma Obra de João de Barros, publicada em 1532: http://joaodebarros.tripod.com/obras.htm

quarta-feira, 7 de maio de 2008

GARRETT, POR ZINK

Por Madalena Silva


Acabei de ler - pela primeira vez na vida - As Viagens na Minha Terra, na versão adaptada para os mais novos por Rui Zink.
Aqui há tempos desanquei, aqui no blog, na versão d'Os Maias de José Luís Peixoto. Apontei os problemas que considerei mal resolvidos por se tratar de romance adulto e inadaptável, em minha opinião, para crianças, sobretudo se for para reduzir a 16 páginas.
Ficou mais ou menos assente que quando saísse esta versão do romance de Garrett, teria de a ler e fazer uma "análise comparativa".
Feito esse TPC, resulta que o meu parecer é francamente mais positivo: o nosso Zink saiu-se, sem sombra de dúvida, melhor que o amigo Peixoto.
Gostei da solução da "voz" do Garrett e do "copy paste".
A opção por uma abordagem deste tipo é obviamente mais inteligente porque coloca o ónus da literariedade do texto em cima do seu verdadeiro autor, embora tal resulte para o melhor mas também para o pior.
E o pior, no caso, continua a ser, em meu entender e reiterando aquilo que já apontei na crítica a Os Maias, o conteúdo e não tanto a forma. É que não é efectivamente pêra doce adaptar estes romances a uma linguagem que, não sendo imbecil ou imbecilizante só porque se dirige a crianças - que, ao contrário do que o João dizia no seu comentário ao meu post anterior, não são imbecis, antes são do mais vivaço e muitas vezes crítico que há por aí - também não pode ser indecifrável sob pena de se falhar por completo o objectivo traçado inicialmente.
E, neste aspecto, esta adaptação das Viagens também contém alguns parágrafos mais densos e de maior dificuldade de interpretação. Refiro, apenas a título de exemplo, a passagem onde se fala pela primeira vez de Frei Dinis - frades, barões, Sancho Pança, D. Quixote, sociedade velha, sociedade nova... demasiadas referências literárias a exigir conhecimentos prévios que, muito provavelmente, os jovens leitores não têm.
Em termos visuais, quer uma quer outra estão bonitas e, nesse âmbito, deixo uma especial referência ao trabalho de ilustração e de paginação que me parece excelente.
Resta-me confessar que ainda não foi desta que me conseguiram convencer a ler o original.
Até porque a história é deprimente - ninguém casa, o mulherio fica meio morto e meio louco, o herói sai de cena sem dizer água vem, o frade dá de "frosques" sem dizer água vai... a única que tem o meu apoio incondicional é a inglesa que voltou à base e recomeçou a vida com namorado novo. Boa! "Ganda" Georgina.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Por Andreia Azevedo


Um cartaz que dispensa mais apresentações. A não perder!

sábado, 26 de abril de 2008

Grupo Leya boicota Feiras do Livro

Segundo uma curta notícia publicada no n.º 103 do jornal Mundo Universitário, o grupo Leya, que engloba editoras como a Asa, a Caminho, a D. Quixote e a Verbo, anunciou que não vai estar presente na Feira do Livro do Porto, ponderando também não participar na Feira do Livro de Lisboa. A principal razão para este boicote é a de que este tipo de certames não tem um volume de negócios (ou seja, de lucro) que o justifique. Perante esta atitude (única, acho eu, no mercado editorial português até aos dias de hoje, a confirmarem-se estes dados), colocam-se várias dúvidas sobre as reais intenções deste gigante editorial. É certo que vivemos numa sociedade capitalista onde o dinheiro tem muito peso, mas uma "empresa" que tem como previsão a publicação de mil novos títulos num só ano e uma facturação estimada em qualquer coisa como 90 milhões de euros anuais, não pode dar-se ao luxo de gastar uns milhares em dois acontecimentos que contribuiriam certamente para a sua auto-promoção? Será que já nem nomes sobejamente conhecidos do público, como José Saramago, Mia Couto ou Manuel Alegre, entre muitos outros, são suficientes para alimentar a voracidade dos dirigentes deste gigante? Que contributo estão a dar para tornar os livros mais acessíveis às pessoas num país com fracos hábitos de leitura, como se comprova num relatório recentemente publicado no âmbito do Plano Nacional de Leitura? Será que ao não participarem não irão perder muito mais dinheiro do que se tivessem montado nem que fosse uma única barraquinha onde concentrassem os seus melhores autores? Enfim, vamos ver se cumprem o que anunciaram. E, no fim de contas, creio que quem fica verdadeiramente a perder somos nós, leitores e amantes dos livros.

Carlos Pinheiro

sexta-feira, 25 de abril de 2008

ABRIL!

Por Madalena Silva



Hoje é dia 25 de Abril!

Muitos dos meus colegas de mestrado não tinham ainda nascido em 74.

Eu tinha o fogo da juventude a brilhar nos olhos.

Trinta e quatro anos depois, apesar dos muitos pesares, ainda tenho o fogo a brilhar, não tanto nos olhos onde a chama da revolução se foi transformando num braseiro morno e apagar-se lentamente, mas sobretudo na alma, onde a revolta - e já não a revolução - se alimenta todos os dias com as injustiças que se escancaram diante do nosso pequeno mundo mais ou menos aconchegado.

É esse fogo da alma que me alimenta o quotidiano e me faz levantar da cama em cada dia, na esperança de que esse será o dia, aquele que irá marcar a diferença, aquele que esperamos sempre!


O dia que ninguém soube descrever tão bem como Sophia:


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.



Sophia de Mello Breyner Andresen


Para todos os meus colegas e professores, com o abraço da Madalena!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Paulo Teixeira Pinto compra Guimarães Editores

Depois de abandonar a presidência do Millenium BCP, depois da política e da vida académica, Paulo Teixeira Pinto anunciou a compra da Guimarães Editores, uma referência histórica da edição portuguesa. Não é apenas um novo projecto nem um investimento financeiro: para o ex-banqueiro, é a raiz de uma nova vida. O ex-presidente do maior banco privado português entrou no sector editorial por "amor aos livros". A primeira grande aposta é a reedição da obra completa de Agustina Bessa-Luís, um nome de peso da literatura portuguesa contemporânea desde sempre ligada a esta casa editorial, com um novo design gráfico. O novo logotipo da Guimarães Editores terá como pano de fundo o azul da tinta permanente usada por Agustina Bessa-Luís nos seus manuscritos. Uma novidade (talvez) inédita no panorama da edição em Portugal é a presença de um conselho editorial composto por 30 personalidades da vida cultural e académica que irá gerir a publicação de todos os livros. A edição de ensaios, teses de doutoramento e álbuns de arte de grande qualidade será outra das apostas da nova direcção. Para mais informações, não percam a entrevista a Paulo Teixeira Pinto publicada no 1.º número da 2.ª série da Revista Ler. Isto promete. Vamos ver...

Carlos Pinheiro

Novos instrumentos de leitura e de escrita

Num tempo em que os progressos tecnológicos se sucedem a um ritmo avassalador, surgem constantemente novos equipamentos "facilitadores" da leitura e da escrita (até que ponto conseguirão mesmo esse efeito, eis uma questão que deixo no ar). Numa breve notícia do 1.º número da 2.ª série da Revista Ler, eis mais dois:

1) Kindle

Este leitor de e-books ou e-reader, como preferirem, tem características muito interessantes. Já falámos muito dele nas nossas aulas, mas creio que nunca é demais salientar as suas potencialidades, até porque, pelos menos para mim, é algo que ainda não entrou no meu universo conceptual, digamos assim. Eis então alguns dados que dão que pensar: criado pela Amazon, este leitor de e-books consegue guardar cerca de 200 livros em pouco mais de 300 gramas. Através da loja virtual, o utilizador tem acesso a 110 mil obras, a jornais, a revistas e a blogues. Os primeiros capítulos podem ser lidos gratuitamente e, caso o leitor deseje adquirir um dos livros, este chega num curtíssimo espaço de tempo. O Kindle está disponível em http://www.amazon.com/ e custa 399 dólares (pouco mais de 250 euros).


2) Pulse

Trata-se de uma caneta "inteligente". Chegou ao mercado em Março e está disponível no endereço http://www.livescribe.com/ . Esta caneta guarda as anotações escritas ao mesmo tempo que grava o som, sendo assim muito útil para aulas, conferências ou entrevistas (até porque pesa menos de 40 gramas). Os utilizadores registados no site indicado têm direito a 250 MB de espaço on-line para guardar ou partilhar gravações e notas. Por agora, existem dois modelos: um com cerca de 1 GB, que grava até 100 horas e tem cerca de 16 mil páginas em branco (custa à volta de 95 euros); e outro de 2 GB, com o dobro da capacidade de armazenamento de informação áudio e textual (com um valor comercial a rondar os 125 euros).

Carlos Pinheiro

Feira do Livro no Terreiro do Paço

Integrada na comemorações do Dia Mundial do Livro, está a decorrer até dia 27 de Abril uma Feira do Livro no Terreiro do Paço organizada pela Sodilivros com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. Haverá livros a partir de 1 euro.



Carlos Pinheiro

Lançamento da Revista Ler

Saiu ontem o 1.º número da 2.ª série da Revista Ler. Tive a sorte de a conseguir de borla, na compra de um livro na Livraria Bertrand (uma oferta especial integrada nas comemorações do Dia do Livro). Ah, e já agora, também ofereciam rosas... Para quem não soube disso ou não teve essa oportunidade, destacarei os pontos fortes deste 1.º número (que ainda vão a tempo de comprar, não se esqueçam):



a) uma entrevista excepcional de 12 páginas a António Lobo Antunes.



b) um dossier também com 12 páginas sobre os 50 autores mais influentes do século XX (da lista só consta um nome português: Fernando Pessoa, como não podia deixar de ser).



c) uma fotobiografia sobre a Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.



d) um conjunto de crónicas muito interessantes de autores de renome (José Eduardo Agualusa, Pedro Mexia, Inês Pedrosa, entre outros).



O único incoveniente será talvez o preço (5 euros), se bem que, se tivermos em conta o número de páginas (quase 100), a diversidade de conteúdos, como acabei de mostrar, e o grafismo bastante colorido e original, até nem me parece uma preço do outro mundo. A sua periocidade é mensal e, segundo o seu director, Franscisco José Viegas, como já destacou a Andreia numa mensagem anterior, ainda muita coisa está por aperfeiçoar...



Carlos Pinheiro.

Exposição de Saramago em Lisboa

A Galeria do Rei D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda recebe entre 23 de Abril e 27 de Julho a exposição intitulada José Saramago: A Consistência dos Sonhos. De acordo com Jorge Couto, director da Biblioteca Nacional (instituição que tutela esta vinda a Portugal), a exposição que pode ser vista pelo público português é a mesma que esteve na Fundação César Manrique, na ilha de Lanzarote, no final do ano passado, mas com algumas novidades. Para quem gosta do nosso Prémio Nobel (e não só), uma exposição a não perder.



Carlos Pinheiro

Novidades culturais III

Olá a todos. Deixo aqui duas sugestões que, embora não tenham nada a ver com livros, são muito interessantes. Para quem gosta de conhecer um pouco da nossa História, não percam a primeira; para quem quiser aventuras mais radicais, aproveitem a segunda.



1. Quartel do Carmo abre portas ao público



A Guarda Nacional Republicana, no âmbito das comemorações do seu 97.º aniversário e do 34.º aniversário da Revolução dos Cravos, vai abrir as portas do Quartel do Carmo ao público entre 24 de Abril e 4 de Maio. Neste local, para além de um circuito de visitas interno, estará patente a exposição O Carmo, a GNR e o 25 de Abril. Os vistantes poderão ainda ver o espólio museológico do antigo Convento do Carmo e a sua evolução para quartel.



2. Roda Gigante em Lisboa



Já se encontra a funcionar a Roda Gigante de Lisboa. Localizada junto ao Museu da Electricidade em Belém, esta infaestrutura tem nada mais nada menos do que 37 metros de altura e uma capacidade simultânea para 160 pessoas, sendo as viagens gratuitas.



Carlos Pinheiro

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro na FNAC Colombo

Por Andreia Azevedo

Hoje, dia mundial do livro, às 18h30, na Fnac Colombo, uma conferência cujo tema é: "O Futuro do Livro".
A conferência contará com a presença de José Luis Peixoto, António Baptista Lopes e Mário Sena Lopes.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A leitura no WC

Um papel higiénico onde estão impressos clássicos da literatura? Sim, foi uma peça de teatro. Agora, é realidade. Mais informações aqui.

AV

LER, amanhã - Dia do Livro - nas bancas...

Por Andreia Azevedo

A Nova Ler, dirigida por Francisco José Viegas, estará nas bancas amanhã, Dia do Livro.

Acerca da Revista, de reter três afirmações do Director:

1. “… não é uma revista de literatura, mas de livros. Está mais próxima das livrarias…”

2. “… Traz pouca continuidade com o passado, mas sem perder a tendência experimental…”

3. “… Este primeiro número ainda não é indicativo sobre o que irá ser de facto a Ler. Ainda há coisas por afinar…”

A ver vamos...



Fonte: www.diariodigital.sapo.pt

segunda-feira, 21 de abril de 2008

HÁBITOS DE LEITURA: NÚMEROS FRESCOS - II

Por Madalena Silva


Confrome prometido, aqui está um link para o documento na íntegra. Vale a pena uma vista de olhos. Tem coisas curiosas, como facto de cada vez se ler mais em suportes ligados à novas tecnologias. Imaginem que a percepção da evolução da leitura, nos últimos 10 anos, em Portugal, apresenta 86,6% para a leitura de mensagens no telemóvel e 82,6% no computador e internet.
Estas percentagens correspondem a respostas “aumentou” numa escala em que 1=diminuiu, 2=manteve-se e 3=aumentou.
Só depois aparecem os livros com uma percentagem de 54,4%.
Será que vale a pena dar muita atenção a estas tendências?
Creio que, pelo menos, devemos interiorizar que vivemos definitivamente uma época de mudança.

HÁBITOS DE LEITURA: NÚMEROS FRESCOS

Por Madalena Silva


O Público dá conta de algumas das conclusões apresentadas pelo Relatório de Avaliação do Plano Nacional de Leitura.
Citando a notícia, relevo a seguinte afirmação: “Comparando com a Europa, os portugueses ainda lêem pouco mas a tendência é positiva”, disse ao PÚBLICO Isabel Alçada, comissária do PNL." E agora? Estamos a caminhar mas para onde? Volto às mensagens anteriores em que levantámos questões sobre o que é que as editoras e os grandes grupos hoje publicam.
A tendência é passarmos a ler mais, mas será que também é passar a ler melhor?
Aceitam-se apostas.
Ainda andei à procura do relatório completo mas o site do PNL está inacessível. Se entretanto lá conseguir entrar e obter mais informação, logo direi.

CONSIDERA-SE UM BEST-SELLER OU NÃO?

Por Madalena Silva


"Vendido de mão em mão por imigrantes de Leste, bateu o seu recorde de vendas em 2005 ao alcançar os 320 mil exemplares. Um valor que parece não corresponder ao número de pessoas que demonstra ter aprendido alguma da sabedoria que ele comunica. É pena!
Dirigida por Célia Cadete, a publicação vem de longe. Segundo Manuel Viegas Guerreiro e David Pinto Correia, professores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o primeiro escrito em português foi o Almanaque Perdurável (Séc. XIV).
Antes do Verdadeiro Almanaque Borda d'Água, existiu O Velho Borda d'Água, pela Livraria Barateira."

Este é um excerto de uma notícia publicada hoje no DN. É apenas uma curiosidade mas lembrei-me que chegámos a falar nos almanaques em História e Sociologia do Livro e fiquei deveras surpreendida com os números de vendas. Até porque acho que já não há 320 mil agricultores cá na terra o que pode ser sinal da diversidade de públicos do Borda d'Água.
Ora aí está um bom objecto de estudo a cruzar a sociologia com a edição!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

E O OSCAR VAI PARA...

Por Madalena Silva


... Manuel Alberto Valente pela sua decisão de bater com a porta deixando para trás a ASA e o Grupo de Paes do Amaral.
As razões deu-as hoje, em
entrevista ao Público, estampada na página 16 e onde fala de coisas que nos interessam a todos e sobre as quais nós próprios, interessados aprendizes destas artes editoriais, temos vindo a reflectir - sem chegar a nenhuma conclusão, diga-se!
Aconselho a leitura atenta e chamo a especial atenção para este parágrafo:
"Sou de uma geração e tenho uma escola em que houve sempre uma enorme preocupação com a rentabilidade dos projectos, mas essa rentabilidade passava por uma frase que repeti muitas vezes: “Publica-se o que dá para se poder
publicar o que não dá.” Uma das primeiras frases que Isaías Gomes Teixeira disse quando entrou para o grupo foi: “Mas para que é que vocês publicam o que não dá?” Isto transmite toda uma filosofia com a qual não estou minimamente de acordo. "
Há alguns dias, tivemos aqui no blog uma acesa troca de comentários em torno de um post em que questionei a publicação do livro do Toni Carreira. E em que o Dinis terminou a dizer que o Cláudio Ramos também se preparava para publicar. Pois já publicou. Já o vi à venda na Bertrand. Deve ser dos que dão! O meu receio é que com esta filosofia dos grupos "à la Leya" de só publicar o que dá, um dia não tenhamos mais nada para ler para além de autores como Toni Carreira, Cláudio Ramos, Fátima Lopes, Carolina Salgado e afins! Com todo o respeito pelo trabalho que possam ter, ainda que seja a contar a história a quem a escreve!
Por esse andar, há-de vir o dia em que o Nobel cairá no colo da Rhonda Byrne pelo seu best-seller O Segredo!!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Café com Livros...

Por Andreia Azevedo

Um marketing pouco agressivo e de boa ingestão... :)

Sempre gostei daquele conhecimento que nos chega sem "mexermos uma palha".

Um ex., na minha opinião, significativo do que falamos na última aula de Técnicas de Edição... Qualquer momento é bom para "vender o peixe".
Mas convenhamos... uma publicidade subtil cai melhor do que a típica impositora...